Vida de formiga

Publicado: 08/05/2012 em Uncategorized

Queria aprender a viver. Sabe? Viver. Mais do que uma formiga, cuja vida esmago sob o polegar num gesto tão simples como qualquer gesto simples. Um aceno. Mas, meu Deus, como é difícil viver mais do que as formigas vivem. E morrem. Sinto o peso da vida como se houvesse sobre mim um polegar. O temor de que a qualquer momento o peso se torne insuportável. E me esmague. E a vida se vai. Simples. Foi.

Queria aprender a viver como as pessoas felizes vivem. Ou como as pessoas que fingem ser felizes vivem. Sem polegares. Mais que formigas. Numa sucessão de fatos livres, dos quais sorrisos se abrem tão simples como qualquer simples sorriso. Sem peso. Sorrir flutua.

Queria aprender a viver sem dores. Sem as minhas. Sem as das pessoas que conheço. Sem as das pessoas que não conheço. Sem as dores do mundo. Meu Deus, viver assim é um dom que não me foi dado. E que culpa tenho de ter cometido algo tão grave para não ter sido agraciado com ele.

Queria aprender a viver hoje. Eu seria feliz a vida inteira se pudesse viver apenas hoje. Sem sucumbir aos dias que já me foram. Sem ansiedades pelos dias que ainda me virão. Esse momento. Agora. Viver.

Sabe? Ao fim, queria mesmo viver, ao menos, como uma formiga. Caminhar uma trilha que vai dar num lugar doce. Sem a preocupação dos amargos. A vida por um doce qualquer. Que alegria seria esse doce de formiga. E que tristeza me aflige descobrir esse desejo. Um homem desejar ser formiga. Sem alma. Até que o polegar.

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