Meus amados

Publicado: 13/11/2011 em Uncategorized

O Mestre afirma que não pode ser concebida maior manifestação de amor e carinho do que esta: alguém que, no Limiar Sagrado, traz à mente as pessoas que ama, que se ocupa da lembrança delas e oferece preces por seu bem estar.

Por isso, neste dia, fui eu a este Lugar. As Epístolas de Visitação foram ditas e orações recitadas diante Dele, e com a energia vital que me flui, ergui alto minha alma à medida que o corpo se curvava sobre o Repositório de mistérios que a mente não pode atingir, que nenhum raciocínio pode perscrutar. Os joelhos tocaram o chão e a testa deitada permitiu que a alma me saísse flutuando sem peso. Alma leve para levar consigo e amor que ainda tenho.

Um a um, como se viessem ter comigo neste ato sagrado de confessar a impotência humana diante da Onipotência Presente, estes amados apareceram diante de mim. Seus nomes ditos, também um a um, em voz baixa, porém firme. As letras de seus nomes. As sílabas de seus nomes. A fonética de seus nomes. A melodia de seus nomes. Nomes que mencionei em reverência a cada um deles.

Estas pessoas são as almas que me foram dadas para compartihar a vida. Compartilharam, então, também a parte mais importante dela, que é o saber de si a fugacidade do tempo que aqui temos para erigir para nós um caráter que nos faça sobreviver a ela. A morte me chegará, e a todos estes amados, e eu gostaria de estar ao lado de cada um deles para morrer em pé, olhando o fim chegar, e depois desse fim, descobrir junto a eles a eternidade.

Para cada um ergui meu agradecimento. Se ainda vivo, ainda que do jeito que vivo, devo a eles de diferentes formas e em diferentes graus aquela motivação para me levantar depois de todas as vezes que caio. São eles a lembrança viva do bom que há no mundo, da esperança que e possível ter na humanidade. Por isso são eles o meu santuário. É no coração deles que me ajoelho. É na alma de cada um deles que deito a cabeça e, também por meio deles, Deus existe em mim. Eles me lembram, de incontáveis maneiras, da generosidade que me cai do céu. São eles minha chuva. A água de minha vida a me florescer ao passo das estações.

Deixei o Santuário como quem fica no Santuário. Voltarei em breve a eles, como quem nunca os tenha deixado. A face de cada um deles que esteve lá dentro comigo incandesce a minha face. Se me chegar a morte agora, partirei como quem nunca partirá. Porque os levo. Porque neles fico.

Anúncios
comentários
  1. Tom disse:

    Sim, após fazer a peregrinção saímos com a sensação de nunca a Porta s fecha, melhor, estará sempre entreaberta. Adorei todos os textos que lhe brotaram na Terra Santa. Encontraram em mim ecos de algum espiritual Canyon. Forte abraço.

  2. Ita Andrade disse:

    Eu sei, eu sinto, eu choro.

  3. Azm disse:

    No Irá existe o costume de beijar os olhos daqueles que voltavam da peregrinação…. acho que depois desse texto nao há necessidade de explicar o porque desse costume.

  4. Néstor disse:

    Mais uma vez: obrigado.

  5. Estou chorando. O amor é lindo. Eu também te amo, amigo, irmão (às vezes, caçula, às vezes, o mais experiente). Seu lugar no santuário de meu coração é garantido e eterno. Feizi

  6. Mica disse:

    acho que você escutou o tom abaixo do silencio.

  7. As palavras estão todas guardadas

o que você pensa sobre?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s