O aniversário do Rei

Publicado: 12/11/2011 em Uncategorized

nos jardins da corte real

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Não era necessário perguntar na presença de quem eu estava, enquanto me curvava diante daquele que é objeto de uma devoção e um amor que os reis poderiam invejar e os imperadores almejar em vão! – Edward Grandville Browne, 1890.

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Se eu fosse convidado para a celebração de aniversário de um rei.

Como é que se é convidado para a festa de um rei? Como é que se recebe o convite para a festa de um rei? Como é que se controla a ansiedade pela festa de um rei? Como é que se prepara a si mesmo para a festa de um rei? Como é que se deve escolher a roupa para ir à festa de um rei? Como é que se toma banho antes de ir à festa de um rei? Como é que se deve perfumar o corpo para a festa de um rei? Como é que se vai à festa de um rei?

E uma vez que se chegue à festa de um rei, como cumprimentar seus convidados? Que conversas manter com eles durante a festa de um rei? Como se portar na festa de um rei? Comer na festa de um rei? Beber na festa de um rei? Rir na festa de um rei? Chorar na festa de um rei?

E como chegar diante de um rei? Como fitar um rei? Como curvar-se frente a um rei? O que dizer a um rei? Que presentes levar a um rei?

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Eu fui convidado para a festa do Rei. Recebi o convite de Seus fideicomissários. O coração palpitou e quis parar, doce arritmia. Quase parou, nova vida. Não há nada nesse mundo – soube imediatamente ao recuperar o fôlego vital – que seja digno da festa do Rei. Eu me preparei como pude. Escolhi a melhor roupa que tenho, e ela me pareceu indigna desde o inicio. Tomei o banho mais demorado da minha vida, e não me senti limpo. Usei perfumes, e ainda havia em mim os odores de quem atravessou uma vida desértica para aqui chegar. E assim eu fui à festa do Rei.

Todos os Seus convidados estavam em Sua corte. Ilustríssimos súditos que, como eu, pouco ou nada podiam fazer senão aceitar o convite de Sua Majestade para partilhar da celebração. À medida que percebia que estes servos partiram de incontáveis lugares do planeta, cumprimentei-os tantos quanto pude com a reverência que encontrei debaixo de minhas roupas e de minha pele, a reverência de quem saúda com a alma. Não comi. Não bebi. Havia um estranho êxtase que me impedia de engolir senão a própria seca saliva. Também não engoli riso. Nem choro.

Então caminhei eu, e todos os convidados, para a Presença do Rei. Uma “caravana errante”, desajeitada e atônita, caminhando a passos lentos e torpes. Saudações ao Rei, cuja generosidade permite que esse grupo de cochos e caolhos se apresente em Seu aniversário. Saudações ao Rei, que por estes pobres devota um amor infinitamente maior do que o que eles a Ele devotam. Saudações ao Rei, cujo convite para Seu recinto não depende de nossas vestes e credenciais, nem de nossos nomes e feitos. Somos convidados de honra, ainda que sem honra nos apresentemos.

E finalmente, diante do Rei. Não é possível fitá-lo nos olhos. Não é possível manter-se de pé. Lábios silenciosos, tudo o que se tem a dizer é dito por dentro. Sem nenhum presente que se tenha em mãos, é o Rei que nos presenteia. Vem Ele até nós, ordena que nos levantemos e que voltemos aos nossos lares. Dá a cada um a memória eterna do dia em que estivemos em Sua Presença.

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