Sem tempo algum

Publicado: 10/11/2011 em Uncategorized

Caminhos são como raios de um jardim circular

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O dia vai se entregando à noite constante e lentamente. Parece que não há pressa em Bahjí, um lugar que parou no tempo e não se sabe que tempo é esse que o lugar parou. Eu fecho os olhos e não há nada que me fale da velha passagem do tempo que tanto assola minha alma. Eu ouço pássaros de muitos cantos diferentes, conversando na copa das árvores. Eu ouço o vento falar quando as balança lá em cima. Eu respiro um ar que vai ficando cada vez mais fresco à medida que o dia termina. Aos poucos sinto que, como ele, também me entrego à noite em Bahjí. A noite sempre me foi preferida porque algo em mim se alterava, por assim dizer, mais para dentro. Aqui, dia e noite pertencem ao mesmo tempo porque nada muda em mim. Eu continuo aqui, e só aqui, dentro.

Estou sentado à beira de um jardim circular. Não me dei ao trabalho de contar quantas árvores tem ele, nem quantas flores, nem que extensão tem seus gramados e caminhos concêntricos. Eu caminhei por ele, eu me perdi por ele, até que deixada de lado a ideia de algo encontrar, sentei-me para contemplar. Se a vida passa depressa, como a gente sempre diz, talvez já tenha agora morrido. Já não sinto o tempo passar e parece que para que me enterrem basta que eu deite no chão. Aqui ficarei, sinto. Aqui ficará sepultado meu coração.

Então me vem à memória a vida que me trouxe aqui. Eu sempre achei minha vida uma história difícil de acreditar, mas sentado nesse lugar, nesse momento atemporal, fluindo como se desaparecesse a miragem, tenho que dizer que está fora de compreensão saber como cheguei aqui. Estou neste jardim que é o Alvo do amor dos mundos e não faço ideia de como isso aconteceu. Pois uma viagem não explica o que desejo. Pois uma sequência de fatos não explica o que desejo. Pois o laço familiar não explica o que desejo. Cheguei até aqui de um jeito que nunca saberei, nem ninguém me explicará. Quando digo que o tempo parou, também quero dizer isso. Não me lembro de antes até aqui. Não haverá depois daqui.

Agora é quase noite. Os pássaros estão indo para seus ninhos. Hora dos insetos e outros bichos que povoarão a madrugada. Eu sou um bicho. Eu continuarei aqui sentado. Talvez eu deite. Talvez eu durma. Talvez eu silencie.

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Lua cheia sobre os pinheiros atemporais de Bahjí

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