Trabalhadores

Publicado: 09/11/2011 em Uncategorized

Eu elegi as classes de trabalhadores que mais gosto por aqui. Seguranças, guias de peregrinos e jardineiros. Algumas impressões fundamentais (ao menos para mim) sobre eles.

Os seguranças

Eles não usam armas, eles não tem um metro e oitenta, eles não malham músculos todos os dias, eles são, inclusive, mulheres e senhores de certa idade. Todos eles, sem exceção, sorriem. Eu tenho uma forte impressão que esse lugar é guardado e protegido por sorrisos. Em um determinado momento, fui me aventurar sozinho em um jardim que ainda está sendo finalizado, coisa de jornalista curioso, e recebi a seguinte advertência de um segurança: “querido amigo, quanto mais essa área ficar isolada, mais cedo ela estará aberta para a visitação de todos”. Ele sorria com tal gentileza que foi como se um raio tivesse me atingido. Uma força me levava para fora daquele lugar. Era o sorriso que ele me dava.

Os guias de peregrinos

Eles sabem. A gente sabe que eles simplesmente sabem que esse é um dos momentos mais importantes das nossas vidas. E porque eles sabem disso, agem de acordo. Nunca vi pessoas tão fundamentais serem tão humildes. Nunca estão à frente, nunca estão esbanjando conhecimentos e enumerando informações. Ao contrário, os guias me parecem seres invisíveis. Aparecem quando precisamos, desaparecem para não interferirem na experiência única e absolutamente pessoal que cada um de nós aqui têm. Entre muitos exemplos, eu acredito que são eles figuras admiráveis em servitude. Meu guia, especificamente, é um senhor italiano. Conhece muito e se emociona com o que nos fala sobre esses lugares. Contrito, pede desculpas por falar tanto sem saber que aos nossos ouvidos aquele inglês cheio de sotaque vai se tornando inesquecível.

Os jardineiros

Deixei os jardineiros para o fim porque são eles os que mais me emocionam. Quando me vem à mente o conjunto de ferramentas que um deles leva ao serviço, penso em tesourões e outros equipamentos como máquinas de cortar grama. É uma experiência estarrecedora ver nesse lugar um jardineiro esculpir uma árvore com um alicate do tamanho de uma mão. Quase que folha a folha, desenhando contornos com uma paciência e precisão que evoca um sentimento de profunda devoção. Eu conclui que esses jardineiros não trabalham. Quando têm nas mãos suas ferramentas, eles ajoelham e rezam. E eu, para ajudar, reguei algumas flores com lágrimas.

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comentários
  1. Ita Andrade disse:

    Você está tendo a oportunidade de presenciar a poda de uma árvore? Será que eu entendi direito?

    • André Kano disse:

      Os trabalhos nos jardins não param. A quem quiser ver, estão os jardineiros na labuta por fazer nascer de um árido lugar um jardim que é casa de pássaros, árvores, flores e frutos, e dos corações da gente.

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