Exílio

Publicado: 06/11/2011 em Uncategorized

Where are you from, Mr. Kano?
Brazil, Rio de Janeiro.

When did you arrive here in Madrid?
Few moments ago.

Why are you going to Israel?
Pilgrimage.

Do you have the invitation letter?
Yes, here you are.

Did they send it to you by e-mail or regular mail?
Regular.

How many days do you plan to stay in Haifa?
Nine.

This is your first time?
Yes.

Did you lock your own luggage?
Yes.

Are you carrying with you something that don’t belong to you?
No.

Ok, Mr. Kano, I ask you to follow me. We need to open your bags and verify. You know, it’s just a routine.

(…)

Oh, you like to ride a skateboard...
Yes, I love it.

Dervish, interesting name…
Yes, it’s an american board, but the name is from a ancient Muslim tradition.

Yes, I know. And I think you also like photography…
Yes I am.

Is it an old model?
Yes, it is a Diana. Do you like it?
Yes, I think so.

Do you want to see some of her photos?
Why not?

(…)

Thanks for your cooperation Mr. Kano. Hope you have a great time in Israel.

.

Cansa lidar com o teatro dos homens. Essas perguntas todas. Esses equipamentos para detectar verdades. Como se houvesse a segurança que todo o aparato sugere. Como se houvesse tais verdades. Há verdade no mundo? Que verdade além de versões?

O homem que me interroga se investe da autoridade de um Estado inteiro. Um país mimetizado em seus gestos e olhares, no timbre lento e calmo de sua voz. Eu o temo porque em sua ponderação está a possibilidade de seguir viagem ou não. Um homem cuja sentença leva sua própria vida adiante, ali, naquele momento, leva também a vida de muitos que aguarda ser revistada.

Quando chega o fim de todos os nomes – o que sua mãe lhe deu, o que os amigos lhe deram, o que sua posição social lhe deu, o que sua profissão lhe deu, e também aquele que o Estado porventura tenha lhe investido – no fim de todos eles, resta o homem nu. Ainda que me impeça de seguir, ainda que sobre mim invista seus poderes, nada me causará mal. Ele, nada além de um corpo nu.

É de corpo nu que os homens se apresentam a Deus. Os nomes ficam na terra que dividiram com fronteiras, onde colocaram homens de Estado para lá permanecerem a vistoriar malas, a fazer perguntas, e garantir a soberana segurança do país. Todos os homens do país, de todos os países, apresentarão a si mesmos nus quando se forem dessa terra. Quando deixarem num piscar de olhos esse punhado de areia que chamam de lar, então talvez descubram que o mundo lhes era exílio.

.

Viver é exílio.

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comentários
  1. Naila disse:

    Diana abrindo portas, não? rs

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