Onde mais?

Publicado: 14/01/2012 em Uncategorized

Procurava algo desesperadamente e não sabia o que era.
Ainda não sei. Mas achei.

- Andréa Machado

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Eu lembro de quando tu chamaste tua mãe ao quarto. Pediste o abraço de mãe, e abraço de mãe só mãe é que dá. Tu pediste dela, fica aqui, juntinho. Fica pertinho do meu coração. Fica, não te vá embora. Pedido sussurrado, o teu.

Tu, menina pequena, sentindo a alma estrangulada, compadecendo-me porque bem penso que criança alguma devia sequer sentir que alma tem. Ninguém devia, nem o mundo, tocar a imaculada alma de uma criança.

Tu não sabias. Nem eu, o que é que procurávamos para acalmar a alma.

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Como saber que algo se busca quando não se sabe que algo é esse? Há busca sem objeto que se busque? Não sei o que busco, por isso pego tudo o que me passa ao alcance das mãos. Foi assim que, aos poucos, encontrei tudo o que não busco.

- Perdeste tempo de vida com coisas que não buscas.
É o que afirmam, ao que respondo:
- Com estas coisas, o tempo que perdi me deu a certeza de que não as busco.

Troquei tempo por certezas.

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Ainda permanece a busca.
O que, senão o amor, faz um homem procurar por algo que desconhece?

- Vá!
- Onde?

E o amor responde:
- Onde mais?

O tempo, perdi todo. E toda certeza que ganhei não me foi suficiente:
- Que lugar, afinal, restou do mundo?

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Pois amar-Te é assim mesmo. Nunca Te vi, mas sempre Te amei. Nunca toquei Teu semblante, mas o adoro além. Quem és?

Eu Te procuro, e quando prestes e Te encontrar, nada encontro senão o amor que Te tenho. Estás sempre oculto de meus olhos e distante de minhas mãos, e ainda assim manifesto em tudo aquilo que vejo e em tudo aquilo que toco, porque sei que és Tu nada disso desse tudo. Mas, Quem és, não sei.

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Vês, Amor, como o desespero me toma pelas madrugadas em que estás ausente? Ouves, como é soluço o idioma que falo enquanto as lágrimas fazem desmoronar meus alicerces? Amor, ainda um dia me matas sem que eu ao menos Te encontre.

Ouves, Amor, a menina encolhida que pela mãe chama. Vês, a mãe que olha para o filho e a si mesma encontra. Vês, Amor, como ao fim nenhum de nós Te ouve, nem há quem entre nós Te veja, mas ainda assim temos os olhos insones, ainda assim as orelhas estão de pé, porque o amor assim nos faz.

O amor nos dá a vida, e por toda a vida buscamos.
O amor enfim nos mata sem que encontremos.

Eu não entendo como é que sorri, Amor, os lábios de quem ama.

Comentários
  1. Andréa disse:

    É exatamente isso!

  2. uma das imagens mais tristes, pra mim, é ver uma criança apaixonada e que sofre de desse amor… me dói fundo, e aí eu penso, vou tentar explicar o que pra ela, se nem eu mesma entendo o que passa…
    lindo texto, carapuça pra todos que amam, e não!

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