Sem destino

Publicado: 31/05/2012 em Uncategorized

Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.
– Clarice Lispector, Perto do coração selvagem.

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Quando saí, parei à porta e fiquei olhando a chuva cair. A chuva caía e eu chorei como ela, caindo dos olhos. Eu e a chuva nos molhando de água e de tantas coisas que têm nomes que não as explicam. Molhados de generosidade. Molhados de gratidão. Molhados de amor. Leia o resto deste post »

Como sempre é

Publicado: 21/05/2012 em Uncategorized

Como em todas as manhãs, você se foi. Caminhamos juntos pela rua até a hora da eterna despedida. Eu seguia para um lado. Você seguia para o outro. E depois especulamos. Tinha de ser assim? Tinha de ser diferente? Nenhum de nós responde. Nenhum de nós sabe as respostas das coisas mais importantes da vida, entre elas, que caminho seguir. E seguimos em caminhos opostos como se fôssemos dois polos magnéticos iguais. Que se afastam. Leia o resto deste post »

Louca alma

Publicado: 16/05/2012 em Uncategorized

Teste

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Sentaram-na à cadeira. Logo perceberam, e a deitaram na cama. A ela deram calmante. Depois não tiveram alternativa e a sedaram. Houve um tempo, e com a justificativa de protegê-la dela mesma a amarraram a uma camisa de força. Padecida, mas pacificada. Catatônica, mas controlada. Definhada, mas dominada. A louca alma humana. Leia o resto deste post »

Pedro não pode morrer

Publicado: 10/05/2012 em Uncategorized

Ter direito sobre a vida. O homem tem direito sobre sua vida. Mas, quando é que se tem direito sobre a vida? Leia o resto deste post »

Vida de formiga

Publicado: 08/05/2012 em Uncategorized

Queria aprender a viver. Sabe? Viver. Mais do que uma formiga, cuja vida esmago sob o polegar num gesto tão simples como qualquer gesto simples. Um aceno. Mas, meu Deus, como é difícil viver mais do que as formigas vivem. E morrem. Sinto o peso da vida como se houvesse sobre mim um polegar. O temor de que a qualquer momento o peso se torne insuportável. E me esmague. E a vida se vai. Simples. Foi.

Queria aprender a viver como as pessoas felizes vivem. Ou como as pessoas que fingem ser felizes vivem. Sem polegares. Mais que formigas. Numa sucessão de fatos livres, dos quais sorrisos se abrem tão simples como qualquer simples sorriso. Sem peso. Sorrir flutua.

Queria aprender a viver sem dores. Sem as minhas. Sem as das pessoas que conheço. Sem as das pessoas que não conheço. Sem as dores do mundo. Meu Deus, viver assim é um dom que não me foi dado. E que culpa tenho de ter cometido algo tão grave para não ter sido agraciado com ele.

Queria aprender a viver hoje. Eu seria feliz a vida inteira se pudesse viver apenas hoje. Sem sucumbir aos dias que já me foram. Sem ansiedades pelos dias que ainda me virão. Esse momento. Agora. Viver.

Sabe? Ao fim, queria mesmo viver, ao menos, como uma formiga. Caminhar uma trilha que vai dar num lugar doce. Sem a preocupação dos amargos. A vida por um doce qualquer. Que alegria seria esse doce de formiga. E que tristeza me aflige descobrir esse desejo. Um homem desejar ser formiga. Sem alma. Até que o polegar.